dislexia

Neste artigo, abordarei a Dislexia, uma dificuldade de aprendizagem que pode afetar seriamente o desempenho escolar de uma criança, e, posteriormente, causar prejuízos a toda sua vida acadêmica, caso não seja identificada e tratada da forma correta.

Você sabia que a Dislexia pode ser a razão pela qual algumas crianças tem uma trajetória de fracassos na escola?

No meio das várias questões que envolvem o nosso sistema de ensino e questões que assolam os professores no dia-a-dia, existem algumas crianças que não conseguem aprender e na grande maioria dos casos é essencial uma investigação multidisciplinar, pois podem existir várias razões para esta condição, como: ensino didático inadequado, questões psicológicas (traumas, fracassos, autoestima, etc.), baixo nível socioeconômico, causas socioemocionais, falta de incentivo familiar, práticas inadequadas de alfabetização, influência sociocultural, entre tantas outras situações.

Dentre essas possibilidades, em quadros de dificuldades de aprendizagem, deve-se também suspeitar de uma possível disfunção neurológica, podendo a dislexia ser uma dessas causas.

Você verá neste artigo:

A Dislexia é uma condição um tanto difícil de se identificar porque depende do diagnóstico de vários profissionais, entre eles, professores, neurologistas, fonoaudiólogos, psicólogos, que precisam ter um conhecimento mais aprofundado sobre o tema. Este fato é confirmado quando observamos que a dislexia requer um viés multidisciplinar para desenvolver a abordagem mais adequada e tratar apropriadamente cada criança disléxica.

Mas o que é dislexia?

Segundo o DSM/V – Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais, (pág. 67):

Dislexia é um termo alternativo usado em referência a um padrão de dificuldades de aprendizagem caracterizado por problemas no reconhecimento preciso ou fluente de palavras, problemas de decodificação e dificuldades de ortografia.

crianca com dislexia lendo

Para sermos leitores competentes e fluentes, é imprescindível que nos apropriemos de pré-requisitos básicos como: reconhecer e acessar os sons das letras, reconhecer visualmente as formas dessas letras, desenvolver a fonética e a linguagem, perceber as diferenças e nuances entre letras e ser capaz de combiná-las para formar palavras. Todo esse processo depende de ter os circuitos cerebrais e as conexões neurais intactas, prontas para o desenvolver o aprendizado e entrar em contato com o conteúdo pedagógico que cabe às escolas.

Mas, por motivos genéticos, ou por distúrbios adquiridos nos primeiros anos de vida, esses circuitos e essas conexões, mencionados acima, não são devidamente estruturados, resultando em conexões insuficientes entre as áreas responsáveis pela formação da capacidade de leitura e escrita e, consequentemente, a criança começa a apresentar dificuldade em adquirir a capacidade de compreender, lembrar, interpretar e raciocinar sobre o que é lido e escrito. Em suma, a dislexia é isso.

E acreditem, entre 5% a 17% da população mundial apresentam Dislexia (segundo dados da Associação Brasileira de Dislexia – ABD).

A criança pode apresentar sinais precoces, desde os primeiros anos de vida, que podem indicar uma possível Dislexia. Fique atento a estes sinais!

10 Sintomas de Dislexia

  1. Atraso no desenvolvimento da fala desde os primeiros anos de vida
  2. Dificuldade em diferenciar e distinguir desenhos, imagens, materiais gráficos, letras e números, podendo ocasionar a escrita espelhada (invertendo forma gráfica de letras e números, exemplo: p/q, b/d, 3/E). Inclusive, aqui no Blog, há uma postagem que fala sobre uma fonte específica para o público com Dislexia, e que pode ajudar nessas situações. Você conhecê-la através deste link 👉Como criar atividades para alunos com dificuldades de aprendizagem 
  3. Constantes esquecimentos e confusão com aprendizagens que envolvem sons de letras, palavras, sequência de letras, etc
  4. Pouca assimilação e dificuldade na memorização de rimas, parlendas, cantigas, letras de canções e até historinhas
  5. Dificuldade na coordenação motora e desorganização geral e temporal (atrasos e não cumprimento de prazos na entrega de trabalhos escolares)
  6. Dificuldade com atividades espaciais como: quebra-cabeças, figura fundo e localização espacial
  7. Dificuldade em lembrar de nomes de pessoas e até de objetos
  8. Descontentamento e pouco prazer em atividades que envolvem leitura, livros, materiais gráficos, entre outras atividades.
  9. Histórico familiar de Dislexia ou dificuldades na leitura
  10. Complicações no nascimento, tais como: parto prematuro; permanência prolongada na UTIN, privação ou diminuição da oferta de oxigênio ao cérebro

Tratamento para Dislexia

A Dislexia não tem cura, mas também não é uma doença, porém pode ser remediada com tratamento realizado através de uma equipe multidisciplinar composta por profissionais das áreas da psicologia, pedagogia, fonoaudiologia e medicina neurológica. Além da busca por meios de compensação pela pouca competência leitora.

O suporte da escola e Professores também é muito importante, colaborando com medidas para facilitar assimilação dos conteúdos curriculares e adaptação das avaliações escolares para crianças que apresentam esse quadro.

Nesse contexto, é de suma importância que os professores proporcionem a quem tem dislexia, meios e formas de melhorar o rendimento escolar desses estudantes, respeitando suas dificuldades, lembrando que essas crianças geralmente são muito inteligentes, suas demandas é que diferem dos demais alunos.

Inclusive há uma postagem aqui no Blog ensinando algumas técnicas de adaptações de atividades que podem te ajudar nessa tarefa 👇

Como criar atividades para alunos com dificuldades de aprendizagem

Assim, vou deixar algumas dicas importantes para Professores e Professoras colocarem em prática com estes estudantes e ajudá-los em sua aprendizagem.

6 Dicas para Professores de estudantes com Dislexia

  1. Ler as provas, enunciados e comandas para estas crianças e adolescentes
  2. Dar mais tempo para concluírem provas e tarefas e permitir que confiram todas as respostas para checarem possíveis confusões e equívocos na hora de ler e escrever
  3. Focar no conteúdo respondido pelo estudante e não nos aspectos ortográficos que ele utilizou para escrever suas respostas, dando as notas focando no conteúdo curricular que ele demonstra conhecer.
  4. Fazer bom uso da oralidade, tanto nas explicações de conteúdo, como nos momentos de respostas deles.
  5. Durante as avaliações e testes, permitir que recorram ao uso de recursos como: tabuadas, tabelas, tabelas de fórmulas, entre outros.
  6. Explorar trabalhos de pesquisa de campo, oferecer projetos de pesquisa para somar à nota do conceito final. Explorar outros estilos de aprendizagem, já que muitos estudantes aprendem melhor com uso de estratégias diferentes.

Estilos de Aprendizagem

Dentro destes estilos de aprendizagem temos:

Auditivo

retem melhor as informações escutando e falando sobre o assunto. Aprendem mais por meio de debates, comunicação oral e discussões.

Visual

Desenvolvem melhor seu aprendizado observando imagens, gráficos, esquemas, tabelas, diagramas e leitura. Criam uma imagem mental do que está sendo apresentado.

Cinestésico

Aprendem melhor por meio de experiências, algo concreto que possam manipular, montar, desmontar e tocar. Necessitam de estimulação externa e movimentação.

Há um outra postagem aqui no Blog com diversas estratégias interessantes para desenvolver o raciocínio matemático dos alunos, vale a pena conferir 👇

Como desenvolver o Raciocínio Matemático dos seus alunos

Conclusão

Por fim, quero destacar que estas medidas são extremamente importantes, pois podem trazer uma maior motivação para esses estudantes, reduzindo o risco de desenvolverem baixa autoestima e quadros depressivos, afinal, eles têm plena capacidade para cursarem uma Universidade e tornarem-se profissionais competentes em suas áreas, mas precisam desse apoio para realizarem suas conquistas acadêmicas.

Espero que este artigo traga alguma contribuição para você que está pesquisando por este assunto. Também te convido a conhecer meu livro, está a venda nas grandes livrarias, há uma postagem com os links de compra aqui no blog, e deixarei logo abaixo o link.

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Sobre o Autor

Prof. Elias
Prof. Elias

Formado em Letras/Português e suas Literaturas pelo Instituto Federal do Triângulo Mineiro e em Pedagogia pela Universidade Camilo Castelo Branco. NeuroPsicopedagogo, Autor de livro e Professor de Projeto de Apoio Pedagógico há 12 anos.

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